segunda-feira, abril 23, 2007

Matéria do Presidente da OAB/MG

'Vocação e Advocacia'

22 Abril 2007

O artigo "Vocacão e advocacia" é de autoria do presidente da OAB de Minas Gerais, Raimundo Cândido Junior, e foi publicado na edição de hoje (22) do jornal O Estado de Minas:"
Apesar de pareceres contrários da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o governo federal liberou a criação de novos cursos jurídicos no Brasil. Cresce assim o número de bacharéis, muitos dos quais se habilitam ao exercício da advocacia depois da aprovação nos Exames de Ordem. Já são 600 mil advogados e bacharéis no país, o que tem gerado preocupação e desânimo de muita gente quanto às possibilidades de colocação no mercado de trabalho. Haveria lugar para todos?É bom lembrar que a palavra advogado (ad + vocatus) significa um chamado, uma verdadeira vocação. A propósito, meu saudoso pai, então presidente da OAB, chegou a dizer que a advocacia seria um sacerdócio, lembrando que ninguém construiria impunemente a sua felicidade sobre os escombros da dor e do sofrimento alheios. Para os vocacionados não faltará, com o serviço da advocacia, o pão de cada dia que pedimos na oração que o Senhor nos ensinou.Se nos lembrarmos que uma das finalidades da advocacia não é o recebimento dos cada vez mais escassos honorários (questão de honra), mas, sim, a garantia da vida, da liberdade, da saúde, da paz, do patrimônio para os clientes, sem dúvida seremos recompensados e não nos faltará o pão de cada dia. Os honorários são mera conseqüência de um trabalho sadio e honesto, pois que a finalidade da advocacia é, sem dúvida, a defesa do cidadão e da cidadania, conforme o artigo 44 do Estatuto.Vale lembrar o exemplo de um advogado de Ouro Fino, Sul do estado, que, aprovado nos concursos para a magistratura e para a Defensoria Pública, acabou optando pela carreira de defensor dos pobres e oprimidos, a despeito de perceber uma remuneração quatro vezes menor. Este advogado pode não amealhar bens materiais, mas certamente está muito bem consigo e com os irmãos, defendendo os necessitados, buscando saciá-los na sua fome e sede de justiça.Mas o mercado escreveu numa camiseta vendida no porto seguro dos prazeres mundanos: “Dinheiro não traz felicidade; me dê o seu e seja feliz”. Infelizmente, essa é a máxima que tem regido o homem no planeta e que nós precisamos mudar. Podemos atracar no porto seguro da felicidade, tendo fé no que rezamos diariamente pedindo o pão nosso de cada dia, e não todos os pães num dia só."

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